AULA 13 - Microcontroladores - Técnico

De IFSC
Revisão de 14h09min de 11 de maio de 2017 por imported>Fargoud (→‎PARÂMETROS E ARGUMENTOS)
Ir para navegação Ir para pesquisar

FUNÇÕES

Uma função é uma unidade de código de programa autônoma projetada para cumprir uma tarefa particular.

Funções permitem que grandes tarefas de computação sejam quebradas em tarefas menores e permitem às pessoas trabalharem sobre o que outras já fizeram, ao invés de partir do nada.

A linguagem C em si, não possui funções pré-definidas.

Todas as funções utilizadas em C foram projetadas pelos próprios usuários e algumas mais usadas já foram incorporadas às bibliotecas de alguns compiladores.

Um exemplo de função em C é printf(), que realiza saídas dos programas sem que o usuário precise preocupar-se como isto é feito, pois alguém já fez isto e vendeu sua ideia aos outros usuários.

A principal razão da existência de funções é impedir que o programador tenha de escrever o mesmo código repetidas vezes.


As funções em C são utilizadas como funções (retornam valores; podem ser chamadas de dentro de uma expressão e não recebem parâmetros) e como subrotinas ( não retornam valores; são chamadas por um comando CALL e recebem parâmetros) das outras linguagens.

No entanto, não pode haver aninhamento de uma função dentro de outras funções.

Cada bloco de um programa em C é uma e somente uma função.

Sintaxe:

        tipo  nome_da_função(declaração de parâmetros formais)
        {     declaração de variáveis
               comandos
        }

Onde:

  • tipo - tipo do valor de retorno da função. Se uma função não retornar nenhum valor deve-se usar o tipo "void", pois, por default, as funções em C/C++ retornam um inteiro. Ex: "void main(void)".
  • nome_da_função - nome da função. Como qualquer identificador em C, o nome não pode ser uma palavra reservada da linguagem (a não ser no caso da função main()), pode ser composto por letras, números e o caractere de sublinhado ( também chamado underscore: "_"), mas deve iniciar com uma letra ou com o underscore.
  • declaração de parâmetros formais - neste campo são declarados os parâmetros que a função recebe. Se a função não receber nenhum parâmetro, em alguns compiladores exige-se a utilização de "void", em outros, basta a omissão (quando então os parâmetros são assumidos como inteiros). Os nomes dos parâmetros devem ser separados por vírgulas. Ex: " int sqrt(x, y)".

Em alguns compiladores, a declaração das variáveis utilizadas na função deve, obrigatoriamente, preceder quaisquer comandos da função.

Deve vir logo depois do caractere de abre-chaves ("{").

Existem outros compiladores que aceitam esta declaração em qualquer linha da função, desde que precedendo a utilização das mesmas.

  • comandos - Além dos comandos do corpo da função, este bloco pode conter o comando return que finaliza a execução da função e retorna o valor para a expressão que a chamou. Caso não haja "return", este será assumido quando o compilador encontrar o caractere de fecha-chaves ("}") e o valor retornado será indefinido.

Ex:

    somaum ( int  numentra)
    { int numsai;
       numsai = numentra + 1;
       return numsai;
    }  

Exercício:

Escreva a função que recebe, calcula e devolve a média de 4 valores.


CHAMADA DA FUNÇÃO

Vimos até agora, como é a sintaxe da execução do corpo de uma função chamada em um expressão.

Mas qual é a sintaxe da chamada de uma função? Seja numa expressão, ou não, a sintaxe é:

       nome_da_função(argumentos);

Na chamada de função em C não se utiliza CALL.

Note que o que diferencia a chamada de uma função, da declaração da mesma é a utilização do ponto-e-vírgula (";").

Os argumentos são valores passados para a função.

Quando não houver argumentos a serem passados, deixa-se este espaço em branco.

Ex:

  somaum(5)  ;                              -> Retorna o valor 6
  maior = acha_num_maior(4,7,2,5);          -> Retorna o valor 7 para a variável maior.

PARÂMETROS E ARGUMENTOS

Argumento é o valor passado para uma função.

Parâmetro (Formal) é a variável que recebe valor do argumento.

Ex:

  #include <stdio.h>
  mult(int,int);  //protótipo da função mult()
  //corpo da função main():
  void main(void)
  {   int a=4, b=5;
      printf(" O valor da multiplicação de %d por %d é  %d\n", a, b, mult(a,b)); 
  }
  //corpo da função mult():
  mult(int x, int y) 
  {  int resultado;
     resultado = x * y;
     return resultado;
  }     
 

Normalmente, C utiliza passagem de parâmetros "por valor" para funções.

Isto é, os parâmetros recebem cópias dos valores dos argumentos na expressão.

Temos isto ilustrado no exemplo acima.

Quando a função mult(), recebe os argumentos a e b, na verdade apenas cópias dos valores de a e b são enviados para a função mult().

Em resumo, as variáveis a e b não tem seus valores modificados após terem sido utilizadas como argumentos de uma função.


Se deseja-se que a própria variável seja passada para a função que vai modificar seu valor utilizamos a passagem "por referência".

Neste caso, o argumento recebe o endereço de memória da variável e a função chamada modifica o conteúdo deste endereço diretamente.

Para passar valores por referência, utiliza-se os operadores "&" e "*":

&  - " o endereço de "  - endereço da variável
*   - " no endereço de" - o que está contido no endereço da variável.

Ex:

  int saida = 5;
  ...
  incrementa(&saida);
  ...
  incrementa(int *numentra)        /* numentra contém o endereço e não o valor de saida  */
 /* conteúdo do endereço numentra é do tipo int */
 {  (* numentra)++;               /* incrementa o conteúdo de numentra  */
     return;
 }                                  -> No final da função incrementa(), saida tem o valor 6

VALORES DE RETORNO

Quando o tipo de valor de retorno da função não é especificado, por default a função vai retornar um valor inteiro.

Quando a função deve retornar um tipo que não o int, é necessário declarar-se o mesmo.

Quando a função não retorna nada, no caso de compiladores C ANSI, o tipo deve ser void.

ESCOPO DE VARIÁVEIS

Um programa em C é um conjunto de uma ou mais funções, sendo que uma destas funções é a principal (main()), que será a primeira a ser executada.

Como saber a que função pertence determinada variável, como seu valor muda de função para função e em qual(is) função(ões) ela existe?

Variáveis Locais ou Automáticas

São todas as variáveis declaradas dentro de uma função.

Como só existem enquanto a função estiver sendo executada, são criadas quando tal função é chamada e destruídas quando termina a execução desta.

Parâmetros formais são sempre variáveis locais.

Somente podem ser referenciadas pela função onde foram declaradas e seus valores se perdem entre chamadas da função.


Ex:

     void func1(void)
      {  int x;               ® O x da func1() e o x da func2() são duas variáveis diferentes, armaze-
          x = 10; }               nadas em posições de memória diferentes, com conteúdos diferentes,
      void func2(void)        apesar do mesmo nome.
      { int x;                   
        x = -199;       }   


Uma variável local deve ser declarada no início da função (antes de qualquer comando), por motivos de clareza e organização do código e porque alguns compiladores assim o exigem.

Existem compiladores, no entanto, que permitem que a declaração seja feita em qualquer ponto do corpo da função, desde que antes da utilização da variável.

Variáveis Globais

São variáveis declaradas e/ou definidas fora de qualquer função do programa.

Podem ser acessadas por qualquer função do arquivo e seus valores existem durante toda a execução do programa.

Também por motivos de clareza convenciona-se declará-las no início do programa, após os comandos do pré-processador e das declarações de protótipos de funções.


Ex:

   ...
     int conta;                /* conta é global  */
     void main(void)
     {    conta = mul(10,123);
     ...  }
    func1()
    { int temp;
      temp = conta;
    ...   }
    func2()
    {   int conta;
        conta = 10;      /* esta conta é local   */
    ...   }     

Variáveis externas

Um programa em C pode ser composto por um ou mais arquivos-fonte, compilados separadamente e posteriormente linkados, gerando um arquivo executável.

Como as várias funções do programa estarão distribuídas pelos arquivos-fonte, variáveis globais de um arquivo não serão reconhecidas por outro, a menos que estas variáveis sejam declaradas como externas.

A variável externa deve ser definida em somente um dos arquivos-fonte e em quaisquer outros arquivos deve ser referenciada mediante a declaração com a seguinte sintaxe:

    extern  tipo_var  nome_var;

onde tipo_var é o tipo da variável e nome_var, o nome desta.

Ex:

          Arquivo 1                                          Arquivo 2
          int x, y;                                                extern int x, y;
            char ch;                                               extern char ch;
            void main(void)                                        func23()
            { ...  }                                               {   x = y/10;
            func1()                                                     }
            {     x = 123;                                         func24()
            ...    }                                               {  y = 10; } 

Variáveis Estáticas

São variáveis reconhecidas e permanentes apenas dentro dos arquivos-fonte ou funções onde foram declaradas.

Uma variável estática mantém seus valores entre chamadas da função o que é muito útil quando se quer escrever funções generalizadas (sem o uso de variáveis globais) e biblioteca de funções.

A sintaxe é:

            static tipo_var  nome_var;

onde tipo_var é o tipo da variável e nome_var, o nome desta.

Ex:

          static int rand(void)
            {     static int semente = 1;
                  semente = (semente * 25173+ 13849)%65536;     /* formula magica  */
                  return (semente);
             }    
             ...
             void main(void)
             {    int c;
                  for(c=1; c<=5; c++)
                       printf("Número randômico: %d \n", rand());
             }
A saída deste programa será:
              Número randômico:  -26514
              Número randômico:  -4449
              Número randômico:  20196
              Número randômico:  -20531
              Número randômico:  3882

Variáveis Registradores

Uma variável declarada com o modificador register indica ao compilador para utilizar um registrador da CPU, ao invés de alocar memória para a variável.

Variáveis armazenadas em registradores são acessadas muito mais rápido que as armazenadas em memória, o que aumenta muito a velocidade de processamento.

Se o número de variáveis designadas como register exceder o número disponível de registradores da máquina, então o excesso será tratado como variáveis automáticas.


Variáveis registradores não podem ser globais e geralmente aplicam-se aos tipos int e char.


Obs: Existem programadores que costumam colocar variáveis contadoras em registradores, para tornar o processamento o mais rápido possível.


Ex:

/************************************************/
// Este programa mostra a diferença que uma variável register 
// pode fazer na velocidade de execucao de um programa
/************************************************/
#include <stdio.h>
#include <time.h>
unsigned int i;   // variável não-register
unsigned int delay;
void main(void)
{   register unsigned int j;
   long t;
   t = time('\0');
   for(delay = 0;delay < 50000; delay++)
      for(i = 0; i< 64000; i++) ;
   printf("tempo de loop não register: %d \n", time('\0')-t);
   getch( );
   t = time('\0');
   for(delay = 0; delay < 50000; delay++)
      for(j=0; j< 64000; j++) ;
   printf("tempo do loop register: %d \n", time('\0')-t);

}



<< Página do curso

<< Aula 12 - Instruções DO-WHILE, FOR e SWITCH AULA 13 - Microcontroladores Aula 14 - Matrizes >>