AULA 4 - Eletrônica Geral 1 - Técnico

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Modificado de: "APOSTILA PARA A DISCIPLINA ELETRÔNICA GERAL", MSc. Thiago Ribeiro de Oliveira, IFMG


Sinais Alternados

Um sinal é um meio de representar as informações contidas em fato ou fenômeno físico presentes em nosso mundo.

Na área técnica, tratamos como sinal todo fenômeno que carrega informações úteis a um processo ou sistema. Por exemplo, imagine que um sistema de controle tem que controlar a temperatura de um forno industrial; para esse sistema as informações referentes à variação da temperatura da câmara ao longo do tempo são um sinal, assim como as informações de pressão, vazão de combustível, etc.

Para um sistema de transmissão de rádio, um tipo de sinal seria a voz do locutor, a qual transporta as notícias a serem anunciadas. Também com relação a sinal sonoro, cada instrumento musical tem seu "timbre", ou forma de onda específica:

Sinaissom.png

Um tipo de processo pode receber informações advindas de vários sinais, alguns úteis, como os exemplificados acima, outros, indesejáveis.

Normalmente trata-se os sinais indesejados em um determinado processo como ruído.

Especificamente, em Eletroeletrônica, sinal é uma forma de onda de tensão, ou corrente, que representa algum comportamento de circuito.

Os sistemas eletrônicos a serem discutidos nessa matéria tem como intuito principal processar os sinais necessários para o funcionamento de um processo. No entanto, os sistemas eletrônicos apenas interpretam grandezas elétricas, como tensão e corrente.

Assim sendo, para que os diversos fenômenos físicos possam ser processados é necessário que estes sejam primeiramente convertidos em sinais analógicos de corrente ou tensão.

Esse processo de conversão é realizado por equipamentos específicos chamados de transdutores, dos quais podemos citar o microfone (transdutor de pressão), o termopar (transdutor térmico), o LDR (transdutor luminoso), entre outros.

Os transdutores mais utilizados em processos industriais serão tema da disciplina de Transdutores, no curso Técnico de Eletroeletrônica do IFSC, Campus Itajaí. É suficiente agora saber que os sinais relacionados a eventos físicos podem ser representados no domínio elétrico.

Como os sinais elétricos são gerados a partir de eventos físicos, eles possuem um comportamento variável com o tempo, ou seja, a magnitude do sinal pode mudar de valor ao longo do tempo.

De modo geral, um sinal elétrico assume a forma senoidal, como o ilustrado na Figura abaixo:

Senoide1.png


Elementos de um sinal elétrico

Um sinal convencional de tensão ou corrente possui três componentes básicos:

  • Amplitude - Define a magnitude do sinal elétrico (Unidade dependente do tipo de grandeza analisada);
  • Frequência - Define o número de ciclos que aquele sinal exibe em um segundo (Medido em Hertz);
  • Fase - Define o deslocamento do sinal em relação a um instante de referência (Medido em graus ou radianos).

Um sinal pode, portanto, transportar informações inseridas em pelo menos um desses três componentes.

Amplitude de um sinal

Amplitude.png

A amplitude de um sinal elétrico mede a magnitude daquele sinal, sendo que a unidade referente a tal magnitude está relacionada à grandeza analisada.

Por exemplo, um sinal de tensão terá sua magnitude medida em Volts; um sinal de corrente, em Ampéres e um sinal potência, em Watts.

Valor Instantâneo

O valor instantâneo x[t] de um sinal representa a magnitude do sinal em cada instante de tempo.

Valor de pico-a-pico

O Valor de amplitude pico-a-pico, App, representa a magnitude existente entre o ponto máximo do sinal em um período e o seu ponto mínimo.

Valor de pico

O valor de pico, Ap, representa a magnitude existente entre o ponto máximo do sinal em um período e o valor médio do sinal.

Valor médio

O valor médio Am é a magnitude da média de um sinal ao longo de um período.

O valor médio é igual à soma das áreas sob a curva (integral) de um sinal, dividido pelo período.

Num sinal senóide, cuja linha média esteja sobre o eixo cartesiano do tempo (Amplitude = 0), o valor médio é nulo, porque o sinal tem valor positivo durante metade do tempo, e valor negativo, de igual área, durante a outra metade.

Valor Eficaz ou RMS (Root Mean Square)

O valor RMS, ou seja, o valor médio quadrático, é um representação de magnitude muito utilizada em sistemas elétricos.

Esse valor não pode ser extraído apenas pela análise da forma de onda do sinal, como é feito com os demais.

O valor eficaz é um valor constante correspondente a um sinal arbitrário, de modo que a potência dissipada sobre um resistor alimentado por este valor constante RMS seria igual à potência dissipada pelo mesmo resistor, se alimentado pelo sinal arbitrário em si.

Num sinal senoidal elétrico com valor médio nulo e frequência fixa, o Valor Eficaz do sinal senoidal puro seria:

Amplitude RMS = Ap/√2 = Ap/1,4142 = Ap.0,707

SinalRMS.png

Frequência de um sinal

A frequência de um sinal elétrico representa quantos ciclos daquele sinal ocorrem em um intervalo de um segundo.

O valor de frequência é representado pela unidade Hertz (Hz), a qual significa ciclos/segundo.

O valor inverso da frequência é o período de um sinal, ou seja, o tempo necessário para que este sinal complete um ciclo.

Frequencia.png

Na Figura 4.2, o período do sinal é representado por T. Assim a frequência do sinal seria:

 f = 1/T

Fase de um sinal

Matematicamente, considera-se que um sinal periódico, seja ele elétrico ou não, como tendo duração eterna, ou seja, começou em um tempo infinitamente distante e continuará para sempre, mantendo os mesmos atributos que o descrevem.

Sabemos que essa afirmação não é realista, uma vez que os sinais, como representações de eventos físicos, duram um intervalo mensurável de tempo (mesmo que este seja de alguns milhões de anos!), no entanto, essa é uma maneira de podermos tratá-los como sinais periódicos e utilizar ferramentas matemáticas conhecidas e simplificadas para analisá-los.

Uma vez dito isso, fica claro que ao se analisar um período, ou trecho, de um sinal, é importante definir um instante de tempo de referência, ou seja, em qual momento queremos verificar os atributos de um determinado sinal.

Acontece, todavia, que esse instante de referência não necessariamente estará alinhado com o início de um ciclo do sinal a ser analisado.

A distância (em radianos ou graus) entre o instante de referência e o início de um novo ciclo do sinal analisado dá-se o nome de ângulo de fase, ou simplesmente fase.

Para exemplificar essa ideia, observe as duas ondas senoidais apresentadas na Figura abaixo.

Fase.png

Note que a onda em Azul se inicia no mesmo instante em que o eixo do tempo tem seu valor nulo, ou seja, t = t0 = 0 (t0 normalmente é o símbolo utilizado para definir o instante de referência.).

Nesse caso, dizemos que a onda senoidal possui fase nula, ou zero, pois está em fase com o instante de referência.

Já a onda em Preto se inicia em um instante posterior ao da onda azul, sendo que a distância angular entre a onda preta e o instante t0 é de π/2 , ou 90°.

Logo, podemos dizer que esta onda possui um ângulo de fase de 90°.

Comumente podemos empregar o conceito de fase ao comparar duas ondas em um mesmo intervalo de tempo.

Mantendo ainda o exemplo da figura, podemos dizer que a onda preta está 90° atrasada em relação àa onda azul, isso pois a onda azul tem seu início em um instante anterior à onda preta.

Logo, existe um defasamento entre as duas ondas, o qual pode ser medido em graus (90°), ou radianos (π/2 ).

No caso do sinal senoidal e seus derivados, a fase pode ser incorporada à equação que define o sinal, como é mostrado a seguir:

S(t) = Ap.sen(ωt + ϕ) 

Onde:

S(t) é o sinal dependente do tempo;
Ap é o valor de pico do sinal;
ω = 2πf é a frequência angular do sinal, medida em radianos/s;
f é a frequência do sinal em Hertz;
ϕ é o ângulo de fase em radianos;
t é o instante de tempo que define um valor instantâneo do sinal avaliado.

Aplicações de Diodos em corrente alternada (C.A.)

Circuitos com entrada c.a.

Muitas vezes, um circuito a diodos é alimentado por um sinal alternado.

Para se realizar a análise do sistema, deve-se verificar o comportamento para diversas possibilidades de funcionamento, ou seja, deve-se procurar por pontos de operação do circuito.

Como exemplo, tome o circuito a diodos da Figura abaixo:

Circdiodo8.png

Neste circuito existem duas condições de operação:

  • Quando a tensão de entrada é positiva;
  • Quando a tensão de entrada é negativa.

Quando a tensão vi é positiva, note que o diodo estará diretamente polarizado, de modo que o circuito se torna:

Circdiodo9.png

Neste caso, pode-se escrever que:

 10V = 0, 7V + (2,2kΩ + 1,2kΩ)·ID 

De modo que a corrente na malha se torne:

ID = (10V − 0,7V)/(2,2kΩ + 1,2kΩ)
= 2, 73 mA

A tensão de saída será então: Vo = 1,2kΩ·ID = 3,28V

No segundo caso, quando a tensão se tornar negativa, o diodo estará reversamente polarizado. Isso faz com que ele bloqueie a circulação de corrente, como ilustra a Figura.

Circdiodo10.png

Neste caso, como não há circulação de corrente, a tensão Vo = 0V . Com essas informações, pode-se esboçar a forma de onda de tensão na saída, levando em consideração as análises feitas. A figura acima, à direita, apresenta as formas de onda de tensão na entrada e na saída do circuito.


Nota-se que a análise de circuitos com entrada c.a. pode se tornar bastante complexa, dependendo da montagem e da forma de onda do sinal alternado.

Para simplificar o estudo dessas montagens, podemos determinar circuitos básicos a diodos, os quais podem ser encontrados em diversas aplicações.

Nesta apostila abordaremos dois desses circuitos, os retificadores (como o exemplo dado acima) e os limitadores (ceifadores).

Outros circuitos básicos, como os dobradores de tensão e grampeadores, podem ser encontrados nas referências.

Limitadores de tensão

Os circuitos limitadores, também denominados ceifadores, são projetados para limitar o nível de tensão em sua saída.

A aplicação principal dessa montagem é proteger outros circuitos de sobre-tensões provocadas por falhas nos circuitos, curto-circuito, ou ruídos induzidos, no entanto, existem aplicações onde o ceifamento é feito propositalmente, como no caso de distorcedores de áudio e geradores de forma de onda.

A montagem básica de um limitador é apresentada na Figura abaixo.

Circdiodo11.png

Observe que os diodos são conectados entre a saída do circuito e duas tensões contínuas, uma positiva (+VCC) e outra negativa (−VEE).

Ou seja, para o diodo superior:

VD = Vo - VCC

e para o diodo inferior:

VD = -VEE - Vo  

Portanto, para que os diodos conduzam, devem ocorrer duas situações:

  • Tensão de saída igual a +VCC + 0, 7V ;
  • Tensão de saída igual a −VEE − 0, 7V .

Em qualquer outra situação os diodos se encontrarão em corte.

Como a tensão de entrada é conectada à saída por meio de um resistor, e este apenas perceberá corrente quando os diodos estiverem em condução, quando os diodos estiverem em corte a tensão de saída será sempre igual àa tensão de entrada.

Com isso se percebe a finalidade do circuito:

Enquanto a tensão de entrada estiver entre os limites comentados acima, ela passará pelo circuito limitador sem alteração. Quando a tensão de entrada extrapolar os limites, ela será limitada pelos diodos.

Como exemplo, tome a seguinte condição: VCC = 15V , VEE = 10V . Assumiremos uma tensão de entrada triangular (poderia ser qualquer forma) com valor de pico igual a 5V.

A Figura abaixo apresenta a forma de onda da tensão de entrada e os limites de condução dos diodos.

Circdiodo12.png

Note que como a tensão de entrada é inferior aos patamares de saturação (limites de tensão na saída do circuito) os diodos não entrarão em condução e portanto, a tensão de saída será igual à tensão de entrada.

Caso o nível da tensão de entrada seja elevada a 12V, ter-se-á as formas de onda na parte inferior da figura.

Neste segundo caso, a tensão de entrada supera o limite inferior de saturação. Assim, o diodo inferior irá conduzir e limitar a tensão de saída, durante o intervalo em que a tensão é inferior a -10,7V, à tensão de saturação.

Com isso, nota-se que há uma deformação na forma de onda da tensão de saída, a qual é ceifada em seu pico inferior.

Caso a tensão de entrada se eleve ainda mais, ocorrerá o ceifamento no pico superior também.

O mesmo efeito pode ser obtido com um circuito a zeners, como apresentado na Figura abaixo.

Os limites de saturação seriam determinados pelas tensões de avalanche dos dispositivos. Neste exemplo, os limites de saturação seriam ±(VZ + 0, 7V ).

OBS: Pode-se variar os valores dos limites de saturação, ou se retirar diodos, de modo a se ter apenas um limite de saturação. No entanto, o efeito de limitação sempre ocorrerá quando houver algum dispositivo que impeça a elevação do nível de tensão acima de um valor pré-determinado.

Circdiodo13.png


Retificador Básico

Os circuitos retificadores são utilizados em uma larga gama de aplicações: conversores CA/CC, fontes de alimentação, detectores de valor de pico, geradores de forma de onda, etc.

Na seção seguinte iremos verificar o funcionamento de retificadores aplicados a fontes de alimentação monofásicas. O objetivo principal de um retificador é eliminar alguma parcela do sinal de entrada, de modo que a saída exiba um nível médio diferente de zero.


O circuito básico de um retificador é apresentado abaixo.

Circdiodo14.png

Note que só existirá tensão na saída se o diodo conduzir e essa condição apenas será satisfeita se a tensão de entrada for positiva e superior à tensão de limiar do diodo, ou seja, Vi ≥ 0,7V.

Com essa observação, podemos esboçar a forma de onda de entrada e saída do circuito, consideraremos para tal uma tensão de entrada triangular de valor de pico 10V, como mostra a Figura abaixo.

Circdiodo15.png

Observe que o diodo deixará passar para a saída apenas a parcela de tensão que é superior à sua tensão de limiar, assim o valor de pico da tensão de saída é de Vimax −0,7V , como no nosso exemplo a tensão de pico de entrada é de 10V, a tensão de pico da saída será de 9,3V.



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