AULA 8 - Circuitos Elétricos 2 - Graduação

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Análise de potência CA

CIRC2potencia1.png

Entende-se por Potência Elétrica, a capacidade de um consumidor de produzir trabalho em um determinado tempo, a partir da energia elétrica produzida e entregue.

Em um circuito de corrente contínua, a potência é dada em watts, multiplicando-se simplesmente a tensão pela corrente.

Todavia, quando se trata de circuitos de CA com cargas indutivas e/ou capacitivas, ocorre uma defasagem entre tensão e corrente. Isso nos leva a considerar três tipos de potência:

  • Potência Aparente (S)
  • Potência Ativa (P)
  • Potência Reativa (Q)

Vejamos na sequência, as bases teóricas para este estudo:

Potência instantânea

É a Potência absorvida por um elemento em um dado instante de tempo.

Será dada por:

CIRC2potencia2.png

, isto é, a potência instantânea será composta por um termo constante no tempo:

 termo 1 = 1/2. Vp. Ip. cos (θv - θi) 

e por um termo variável, função do tempo:

termo 2 = 1/2. Vp. Ip. cos (2.ωt + θv + θi) )

Graficamente:

Potinstca05-2.png
Potinstca05.png

Situações especiais

CIRC2potencia3-2.png


Na primeira situação: I2= I ‧ I*. A equação demonstra que um circuito puramente resistivo absorve potência o tempo todo.

Já na segunda situação, a equação mostra que um circuito puramente reativo (ou seja, formado por L ou C) não absorve nenhuma potência média.


Pelo valor do ângulo de fase θ = (θv - θi) podemos inferir:


CIRC2potencia3-5.png

Assim, quando θ = (θv - θi) = 0:

Potinstca8.png

E, quando θ = (θv - θi) > 0:

Potinstca10.png

E, por fim, quando θ = (θv - θi) < 0:


Potinstca12.png

Potência instantânea no circuito misto

Assim como no circuito resistivo, haverá gasto energético (consumo de energia).

A potência instantânea terá que ser calculada em função dos valores de fase θv e θi da tensão e corrente em cada um dos elementos (impedâncias).

Potinstca13.png


A potência instantânea, então, varia muito em circuitos CA.

Ela pode ser decomposta em três componentes da potência elétrica: potências aparente, ativa e reativa.

  • A potência ATIVA, ou Média, é a que realiza Trabalho, de fato. Unidade é o Watt (W).
  • A potência REATIVA é aquela potência consumida por reatâncias (indutivas ou capacitivas) no armazenamento de energia, magnética ou elétrica, para o devido funcionamento do sistema elétrico. Unidade é o Volt-Ampère reativo (var).
  • A potência APARENTE é a potência total fornecida pela fonte. Unidade é o Volt-Ampère (VA).

A potência Aparente é calculada pela soma vetorial dos fasores de potências ativa e reativa:

Triangpot1.png

Assim, conhecendo pelo menos duas grandezas dentre S, P, Q e fator de potência, é possível determinar as grandezas restantes utilizando trigonometria.

No caso da Potência Reativa, existe a dualidade entre os tipos de reatância, daí ser atribuído o sinal positivo à Potência reativa Indutiva e o negativo, à Potência reativa Capacitiva.

Entre essas potências existe uma relação conhecida como fator de potência (FP), determinada pelo cosseno do ângulo entre a potência ativa e a aparente, ou seja, P/S ou o cosseno do ângulo de fase, entre a tensão e a corrente.


Exemplo 18

Dados v(t) e i(t): CIRC2exemplo17.png, calcule a potência instantânea e qual o tipo de carga:

Resolução:

p(t) = v(t).i(t)

p(t) = 127.cos(377t + 30º ) × 5.cos(377t - 5º)

p(t) = 653.cos(377t + 30º ).cos(377t - 5º)


Aplicando-se a identidade trigonométrica cos(a).cos(b) = 0,5.[cos(a + b) + cos(a - b)]:


p(t) = 317,5.[ cos(377t + 30º + 377t - 5º) + cos(377t + 30º - 377t + 5º)]

p(t) = 317,5.[ cos(754t + 25º) + cos(35º)]

Como o ângulo θ = 35º e, portanto, 0 < θ < 90º pode-se inferir que a fonte alimenta uma carga RL!

Potência média

A Potência Média, ou POTÊNCIA ATIVA está relacionada à geração de calor, movimento ou luz.

Basicamente, ela pode ser considerada como a média da potência elétrica gerada por um único dispositivo com dois terminais.

É resultado do gasto energético após o início de cada processo de transmissão de energia, como o da corrente elétrica até os equipamentos que temos em casa, ou mesmo em máquinas industriais.

A potência ativa, que pode ser medida em watts (W) ou kilowatts (KW), por meio de um aparelho chamado wattimetro, é a energia que será realmente utilizada.

Será dada por:

CIRC2potencia3.png

Uma vez que* : CIRC2sencos3.png

* Para maiores informações, vide: Breve revisão de relações trigonométricas


CIRC2potencia3-3.png


Exemplo 19

Dado que v(t) e i(t): CIRC2exemplo19-2.png, calcule a potência instantânea, o tipo de carga alimentada pelo circuito e a potência média (ativa):


p(t) = 120.cos(377t + 45º ) × 10.cos(377t - 10º)

p(t) = 1200.cos(377t + 45º ).cos(377t - 10º)

p(t) = 600.[ cos(754t + 35º) + cos(55º)]

p(t) = 600.[ cos(754t + 35º)+ cos(55º)]

Como o ângulo θ = 55º e, portanto, 0 < θ < 90º pode-se inferir que a fonte alimenta uma carga RL!


Já a potência média será:

Pmed = ½ Vp.Ip.cos(θv - θi)


Pmed = ½ 120.10.cos(45º - (-10º))

Pmed = 600.cos(55º) = 344,2 W

Exemplo 20:

CIRC2potfonteexemplo.png

A potência ativa pode ser vista, também, como a parte real da potência entregue à carga:

Potativa11.png

Em termos de fasores:

Potativa6-2.png

Potência ativa no resistor

Se a carga é um resistor, então θ = 0 e Vm = R.Im, assim:

Potativa7.png

Note que se i = Icc (corrente constante), então ω = θ = 0º e Im = Icc, então,

Potativa8.png

Potência ativa no indutor e no capacitor

  • Se o bipolo é um indutor, então θ = 90°.
  • Se o bipolo é um capacitor, então θ = -90°.

Assim, para ambos os casos, temos:

Potativa9.png

Potência Reativa

Como já vimos, a potência instantânea é dada por:

Potreat01.png

Em um circuito misto, que contenha resistências e reatâncias indutivas e capacitivas:

Potreat02.png

A potência reativa, por sua vez, não realiza o trabalho em si.

Isso significa que não é essa energia que liga os eletroeletrônicos e outros equipamentos elétricos, mas ela funciona entre o gerador de energia e a carga em si, sendo responsável por manter o campo eletromagnético ativo em motores, reatores, transformadores, lâmpadas fluorescentes, etc.

Em outras palavras, é a potência usada apenas para criar e manter os campos eletromagnéticos das cargas indutivas ou capacitivas.

Sua medida é feita em VAR, que significa volts-Amperes-Reativos.

Numa instalação elétrica que apenas possua potência reativa, a potência ativa média tem um valor nulo, pelo que não é produzido nenhum trabalho útil. Diz-se portanto que a potência reativa é uma potência devatada (não produz watts ativos).


Potativa11.png

Na indústria elétrica, recomenda-se que todas as instalações tenham um fator de potência máximo, que fará a parcela V.I.sen(φ) da potência reativa, não-útil, portanto, ser mínima.

Potreativa1-2.png

Assim, enquanto a potência ativa é sempre consumida na execução de trabalho, a potência reativa, além de não produzir trabalho, circula entre a carga e a fonte de alimentação, ocupando um espaço no sistema elétrico que poderia ser utilizado para fornecer mais energia ativa.

Potreativa2.png

A integração temporal da potência reativa resulta numa energia reativa, que representa a energia que circula de forma oscilante nas instalações, mas não é consumida por nenhum receptor.

Potreativa3.png

Em casos de consumidores especiais de energia elétrica (grandes consumidores), esta energia pode ser contabilizada em VAr-hora, e faturada adicionalmente à energia ativa consumida.


Potreativa4.png

Potência Aparente

Definição:

É o produto da tensão pela corrente (eficazes)

Também pode ser definida como a soma vetorial das potências ativa e reativa.

As relações matemáticas entre os três tipos de potência podem ser resumidos por:

Triangpot4.png


Triangpot5.png


Triangpot6.png


Máxima Transferência de Potência

"A máxima transferência de potência vai acontecer quando a impedância da carga for casada (igual ao complexo conjugado) à impedância de Thevenin equivalente da fonte."

Isto é:

   ZL = ZTh*

ou:

CIRC2maxpot1.png

E, portanto, a potência máxima será:

P = VTh2/(4.RTh)

porque, como visto, as reatâncias não executam trabalho.

Demonstração

Sabemos que o máximo acontece na curva quando a derivada é zero. Então, para a resistência:

CIRC2maxpot2.png

E para as reatâncias:

CIRC2maxpot3.png

Princípio da CONSERVAÇÃO da energia/potência

"As potências complexa, ativa e reativa de uma fonte são iguais à soma das respectivas potências complexas, ativas e reativas das cargas individuais."

Resumo

CIRC2resumopot.png


CIRC2resumopot2.png


CIRC2resumopot3.png
CIRC2resumopot4.png


Exercícios

1)

Exerc1potativa1.png

RESOLUÇÃO:

Exerc1potativa1RESOL.png

2) Uma determinada impedância, alimentada por tensão de 220V, consome uma potência de 9KW e cos φ = 0,8. Determine:

a) corrente de entrada da resistência;

b) Potência aparente;

c) Potência reativa

Resposta: Exercício 1 - Cap.11

3) Um gerador de 100 V eficazes e 60 Hz alimenta o seguinte conjunto de cargas:

3.1) Um motor de indução de 1,5 kVA e 1,2 kW.

3.2) Dez lâmpadas fluorescentes de 60 W cada uma, cos θ = 0,6 em atraso.

Determine:

a) As potências ativa, reativa e aparente fornecidas pelo gerador.

b) O fator de potência da instalação, isto é, do conjunto de cargas.

c) Um bipolo (e tipo) que conectado em paralelo corrige o fator de potência.

Resposta: Exercício 3 - Cap.11


4) Um gerador de 100 V eficazes e 60 Hz alimenta as seguintes cargas em paralelo:

4.1) Dez lâmpadas fluorescentes de 60 W cada uma, θ cos = 0,6 em atraso.

4.2) Uma carga de impedância Z = (6 + 12 j)Ω .

4.3) Um motor de indução de 1,2 kW e 2 kVA.

Determine:

a) As potências ativa, reativa e aparente fornecidas pelo gerador.

b) O fator de potência da instalação elétrica (isto é, do conjunto de cargas).

c) Os valores dos capacitores que conectados em paralelo com as cargas transformam o fator de potência em 0,9 (adiantado e atrasado).

d) Qual é a redução porcentual da corrente fornecida pelo gerador após a correção do fator de potência?



5) Um gerador senoidal de força eletromotriz de 30 V eficazes e impedância interna Zg = (2 + 3 j)Ω alimenta uma carga linear através de uma linha de impedância Zl = (6 + 2j)Ω , como mostra a figura. A carga Zc = (8 − 5j)Ω dissipa a máxima potência ativa. Determine:

a) As potências ativa, reativa, aparente e o fator de potência na linha.

b) O fator de potência da carga Zc

Exercpotreat.png

6) A tensão nos terminais das cargas A, B e C é de 2300 V. As três cargas são descritas como segue:

A: 10 kW e fator de potência de 0,707 atrasado.

B: 10 kVA e fator de potência de 0,9 adiantado.

C: 18 kW e fator de potência de 0,6 atrasado.

Se Z1=Z2=(4+2j) Ω, determine a tensão, a corrente, o fator de potência e a potência fornecida pela fonte.

Exercpotreat3.png

7) Obtenha o equivalente de Thévenin entre os pontos A e B para o circuito abaixo: Calcule o valor de i para os seguintes casos:

a) R = 2 ohms b) R = 5 ohms c) R = 0

Exercpotreat2.png

Lista de Exercícios do Irwin:

1) Em um determinado componente, a tensão instantânea é v(t) = 6.cos(ω.t) e a corrente é i(t) = 4.sen(ω.t). Qual a potência média no componente? Resposta: 0 W

2) Em um determinado componente, a tensão instantânea é v(t) = 170.cos(ω.t + 30°) e a corrente é i(t) = 5.cos(ω.t + 45°). Qual a potência média no componente? Resposta: 410,52 W

3) Qual a potência instantânea fornecida pela fonte?

Exercpotirwin1.png

Resposta: p(t) = 11,52 + 14,4.cos(2.ω.t + 113,13°) [W]

4) Qual a potência média fornecida pela fonte e o valor de I2?

Exercpotirwin2.png

Resposta: P = 336,11 W e I2 = 5,64 <41,18°

5) Qual a potência instantânea fornecida pela fonte?

Exercpotirwin3.png

Resposta: p(t) = 7,31.[0,914 + cos(2.ω.t + 36,04°] [W]

6) Qual a potência média absorvida pelo resistor de 2 Ω?

Exercpotirwin4.png

Resposta: P = 32,38 W

7) Qual a potência média absorvida pelo resistor de 4 Ω?

Exercpotirwin7.png

Resposta: P = 9,42 W

8) Qual a potência média absorvida por cada componente do circuito abaixo?

Exercpotirwin5.png

Resposta: Pfonte = 9,98 W, P120Ω = 7,48 W, P40Ω = 2,49 W, PC = 0 W, PL = 0 W.

9) Determine o valor de ZL para máxima transferência de potência.

Exercpotirwin6.png

Resposta: ZL = ZTh = (1 - j) Ω para Pmáx = 4,5 W

Bibliografia

[1] SADIKU, M. N. O.; MUSA, S. M.; ALEXANDER, W. K. Análise de Circuitos Elétricos com Aplicações. Porto Alegre: Mc Graw Hill Education, 2014. v. 3.

[2] BOYLESTAD, R. L. Introdução à Análise de Circuitos. 12a ed. São Paulo: Pearson, 2011.

[3] PETRY, C. Circuitos 2. Disponível em: Aula 11 - Potência em CA regime permanente, 2023.

[4] BALDINI Fo., Renato. EA-513 Circuitos Elétricos, Notas de Aula, Disponível em: Circuitos Elétricos, 2014.


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